quinta-feira, 24 de março de 2011

Considerações Finais

            Como já dito, nenhum pensador ou cientista do século XX levou tão longe a crença de um controle e de uma modelagem do comportamento humano como Skinner. Skinner ainda hoje é diversas vezes mal compreendido, por conta de ser erroneamente confundido com Watson.

John B. Watson, no inicio de sua pesquisa sobre o comportamento humano, propôs estudar apenas o que seria observável (Teoria “Estímulo/Resposta”) e o que não seria observável seria deixado de lado. Em uma visão filosófica, Watson reduziu o homem.


             Skinner pega uma espécie de gancho da pesquisa de Watson, porém estudando o homem não apenas nos aspectos observáveis, estuda o homem como um ser em constante construção de sua história.


“O homem modifica o mundo. Ele é um ser em constante construção, um ser único, que atua, modifica e é pelo mundo modificado.”


            Skinner, seguindo uma tradição de estudos científicos, faz estudos de laboratórios onde conclui que somos sensíveis as conseqüências do nosso comportamento, agimos e dependendo do resultado da nossa ação, nós voltaremos a agir da forma que agimos, ou não.


            Skinner não tirou essas conclusões apenas das pesquisas em laboratórios com ratos, ele já havia idéias e estudos voltadas a isso. Porém, as pessoas acostumadas com uma cultura e uma doutrina cristã, se sentem ofendidas por acreditarem que o homem seria um ser impossível de ser estudado, pois era um ser “divino”, nunca capaz de ser compreendido e estudado pela ciência. 


Foi uma rejeição quase que religiosa ao Behaviorismo, onde Skinner defende ao dizer que entendia que o ser humano não podia ser comparado a um rato, pois o ser humano é um ser de complexidade ímpar, com habilidades e capacidades impossíveis de serem encontrados em outros seres, porém não somos seres alienígenas, que tem princípios de comportamento totalmente diferente de outros seres vivos.


Ninguém pode acusar Skinner de ser reducionista, pois ele afirma a todo tempo a complexidade do ser humano, que o que fazemos é determinado pela nossa filogênese (o que somos enquanto espécie), ontogênese (como minha vida é construída) e a cultura (Praticas que são transmitidas através do comportamento verbal ou linguagens).


O grande foco do Behaviorismo de Skinner foi em relação a aprendizagem, forneceu inúmeras teorias e invenções para ajudar no ensino das escolas. Com Fred Keller, Skinner apartir dos princípios comportamentais, defende o Ensino Individualizado, pregando que, quando o ensino é dado de forma individual, o professor tem uma maior visão das dificuldades do aluno tornando a avaliação praticamente natural.
Skinner foi um dos precursores do computador na educação, para ele, a escola ideal é aquela que o aluno é atraído por ela, não por receio, mas porque nela ele encontra as mais fortes razões de se manter o aprendizado mesmo depois de sair dela. A educação para Skinner, é a chave da sociedade, é por ela que o aprendiz encontra formas e habilidades que o tornem independentes e que depois da escola, ele seja um ser que busque informações no decorrer de sua vida, tornando o ser mais feliz e com sucesso profissional.


“Dada as condições adequadas, todo ser aprende.”


            A grande contribuição de Skinner, não só para uma, mas para todas as áreas, é a força que a educação tem, onde ele concebe que os educadores podem compor o que ele chama de Quarto Poder, Quarta Força ou Quarto Estado, pois ele considera que os três existentes que seria a Religião, a Economia e a Política, tem interesses que dizem a respeito a sua sobrevivência imediata e não a sobrevivência da espécie, e que são apenas os educadores, os intelectuais e os cientistas, que por conhecerem o que move o ser humano, serão capazes de trabalhar a sobrevivência e a manutenção da espécie humana.



Skinner foi um visionário, foi um teórico extremamente pós moderno pela sua concepção de ensino, foi um sábio, 30 anos a frente do seu tempo.

Linha do Tempo

1904 - Em 23 de março, Burrhus Frederic Skinner nasce, na cidade de Susquehanna, Pensilvânia, Estados Unidos.
1928 - Inicia a pós-graduação em Psicologia, em Harvard
1936 - Casa-se com Yvonne Blue
1936-1945 - Leciona na Universidade de Minnesota.
1938 - Publica o livro The Behavior of Organisms (O Comportamento dos Organismos)
1945-1947 - Leciona na Universidade de Indiana.
1947 - Skinner e sua família mudam-se para Cambridge
1948 - Começa a lecionar em Harvard, onde trabalhou até o fim da vida.
1948 - Publica o livro Walden Two, em que idealiza uma sociedade do futuro, organizada segundo os princípios comportamentais que ele defendia.
1953 - Publica o livro Science and Human Behavior(Ciência e Comportamento Humano)
1957 - Publica o livro Verbal Behavior (O Comportamento Verbal)
1957 - Publica, com C. B. Ferster, o livro Schedules of Reinforcement.
1968 - Publica o livro The Technology of Teaching (Tecnologia do Ensino)
1971 - Publica o livro Beyond Freedom and Digntity (Além da Liberdade e da Dignidade), que se tornou um best-seller nos Estados Unidos.
1974 - Publica o livro About Behaviorism (Sobre o Behaviorismo)
1976 - Publica o livro Particulars of My Life: Part One of an Autobiography
1978 - Publica o livro Reflections on Behaviorism and Society.
1979 - Publica o livro The Shaping of a Behaviorist: Part Two of an Autobiography.
1983 - Publica o livro A Matter of Consequences: Part Three of an Autobiography.
1983 - Publica, com M. E. Vaughan, o livro Enjoy Old Age: A Program of Self-Management (Viva bem a velhice: Aprendendo a programar sua vida)
1987 - Publica o livro Upon Further Reflection.
1989 - Publica o livro Recent Issues in the Analysis of Behavior (Questões Recentes na Análise Comportamental)
1990 - Em 18 de agosto morre, aos 86 anos, de leucemia.

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